Apenas passando os olhos na ficha técnica deste álbum de Agenor de Oliveira, através dos nomes dos parceiros e músicos envolvidos, a boa música já começa a se configurar na nossa frente. Então começo a audição e os sons vão se concretizando, se confirmando na minha sala.
A voz afinada e intimista convida e conduz o álbum por caminhos macios e competentes.
Um disco autoral e brasileiro, inclusive em seus assuntos e suas letras bem resolvidas, permeadas de tons poétcos. Às vezes jocosas, às vezes românticas. Fala do samba, como em Bato Tambor, assunto sempre inesgotável pra quem entende do que se trata, como Agenor.
Cercado de mestres como Hamilton de Holanda, Cristóvão Bastos, Luciana Rabelo, Celsinho Silva, Jorginho do Pandeiro, Márcio Bahia e tantos outros, Agenor se revela nesse disco com despojamento e sofisticação. Qualidades que, quando juntas, acabam elevando o nível das coisas.
Destaco ainda a faixa Às Margens Da Vida, pela poesia da letra e o dueto afinado com o parceiro Délcio Carvalho, uma faixa emocinante.
Agenor constrói tão bem sua própria história e vem tão bem cercado e resolvido, que só nos resta mesmo desfrutar e assim, de alguma forma, participar de tão belo trabalho.
Zélia Duncan
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